Itajubá HardTech participa de missão que conecta ecossistemas do Sul de Minas ao Sudoeste do Paraná

Nos dias 15 e 16 de setembro de 2026, lideranças do Ecossistema Itajubá HardTech e representantes do Sistema Regional de Inovação (SRI) do Sul de Minas participaram de uma Missão Técnica ao SRI do Sudoeste do Paraná. A agenda de imersão percorreu as cidades de Pato Branco, Dois Vizinhos e Francisco Beltrão, proporcionando à comitiva uma experiência prática sobre como diferentes atores podem atuar de forma integrada na construção de estratégias de desenvolvimento regional.

O principal objetivo da missão foi conhecer de perto o modelo paranaense de articulação entre governança, universidades, empresas, poder público e ambientes de inovação, identificando práticas que possam inspirar e fortalecer as iniciativas já desenvolvidas no Sul de Minas.

A comitiva sul-mineira foi formada estrategicamente por lideranças de seis ecossistemas da região, além de parceiros como Sicoob e Sicredi. Para Larissa Gignon, representante do município de Itajubá na missão, um dos principais aprendizados foi a importância da colaboração entre os diferentes atores.

“O que vivemos no Sudoeste do Paraná confirmou algo que eu já defendia, mas que ali se tornou concreto: nenhum ecossistema forte nasce isolado.”

Conhecimento compartilhado de forma prática

Um dos destaques da missão foi o nível de profundidade das informações compartilhadas pelos representantes do Sudoeste do Paraná.

Ronaldo Abranches, um dos membros mais antigos do movimento de inovação em Itajubá e com ampla experiência em missões técnicas pelo Brasil, considerou a visita ao Sudoeste do Paraná uma das experiências mais produtivas de sua trajetória.

Segundo ele, chamou atenção o nível de detalhamento técnico apresentado durante os dois dias, incluindo o compartilhamento de documentos, legislações e instrumentos utilizados na estruturação do ecossistema. Para Abranches, esse acesso demonstrou uma disposição efetiva de compartilhar conhecimento e experiências, indo além de uma apresentação institucional.

Cinco aprendizados para o Sul de Minas

Ao longo da agenda, a comitiva identificou aspectos do modelo paranaense que podem contribuir para a evolução do SRI Sul de Minas.

Metodologia unificada
O SRI do Sudoeste do Paraná trabalha com uma metodologia comum aos ecossistemas locais, facilitando a integração regional e a atuação coordenada. A experiência trouxe para o debate a possibilidade de o Sul de Minas avançar na construção ou adoção de uma metodologia compartilhada.

Indicadores e acompanhamento de resultados
Outro ponto de destaque foi a utilização de indicadores para acompanhar a evolução dos ecossistemas. Por meio de ferramentas como dashboards, é possível visualizar de maneira objetiva resultados relacionados ao número de empresas, geração de negócios e faturamento, entre outros indicadores.

Cultura de cooperação institucional
A missão também evidenciou a proximidade entre poder público, universidades e ambientes de inovação. Em diferentes momentos da agenda, representantes dos municípios demonstraram envolvimento direto com as iniciativas, inclusive com a participação dos prefeitos na recepção e nas discussões com a comitiva.

Integração entre os diferentes atores
A experiência reforçou a importância da atuação conjunta entre academia, governo e setor produtivo. Ao mesmo tempo, a comitiva identificou que, mesmo em um ecossistema considerado bastante articulado, ainda existe espaço para ampliar a participação das empresas na chamada tríplice hélice da inovação.

Desenvolvimento regional como estratégia de longo prazo
Mais do que conhecer estruturas físicas ou programas específicos, a missão permitiu compreender uma lógica de atuação baseada em planejamento, governança, indicadores e cooperação contínua entre municípios e instituições.

Três cidades, diferentes perspectivas

O roteiro foi estruturado para apresentar diferentes dimensões do modelo regional paranaense.

Em Pato Branco, a comitiva conheceu aspectos relacionados à governança regional e ao funcionamento do Parque Tecnológico, compreendendo como estruturas de inovação podem contribuir para a estratégia de desenvolvimento do território.

Em Dois Vizinhos, o foco esteve na atuação da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), especialmente na relação entre universidade, pesquisa aplicada e desenvolvimento econômico.

Já em Francisco Beltrão, a agenda abordou principalmente políticas públicas, estruturas de inovação e mecanismos de articulação regional.

A diversidade das experiências permitiu à comitiva observar como diferentes municípios podem assumir papéis complementares dentro de uma estratégia regional integrada.

Da inspiração para a ação

Mais do que uma agenda de visitas, a missão provocou reflexões sobre os próximos passos do SRI Sul de Minas.

O retorno da comitiva já foi acompanhado pela articulação de uma reunião para aprofundar a discussão sobre metodologias de gestão, indicadores, governança e possibilidades de aplicação das experiências observadas no Paraná à realidade sul-mineira.

A experiência reforçou uma percepção compartilhada entre os participantes: o desenvolvimento regional depende da capacidade de diferentes instituições e territórios trabalharem de forma coordenada, compartilhando conhecimento, responsabilidades e objetivos.

Para Larissa Gignon, a principal mensagem deixada pela missão foi justamente essa perspectiva de construção coletiva:

“Volto para Itajubá com a certeza de que desenvolvimento regional não é sorte, é decisão. É universidade, prefeitura e empresa falando a mesma língua.”

A missão ao Sudoeste do Paraná encerra-se, assim, não como um ponto final, mas como o início de uma nova etapa de reflexão e construção para o Sul de Minas, levando para a região aprendizados concretos de quem já vem construindo, na prática, uma estratégia integrada de desenvolvimento baseada em inovação, cooperação e visão regional.

Publicado em: 18/09/2026

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