Itajubá HardTech Sustentável: como transformar seu Imposto de Renda em motor de inovação, economia circular e impacto ambiental

A inovação em Itajubá sempre esteve associada à alta complexidade tecnológica. O município é reconhecido nacionalmente por sua excelência em engenharia, energia, pesquisa aplicada e desenvolvimento de tecnologias para setores estratégicos como o aeroespacial, industrial e energético.

Agora, o Ecossistema Itajubá HardTech amplia sua atuação ao integrar de forma cada vez mais intensa a sustentabilidade e a economia circular à sua agenda de desenvolvimento. Uma das oportunidades para acelerar essa transformação está na Lei de Incentivo à Reciclagem (Lei nº 14.260/2021), mecanismo que permite que empresas e cidadãos direcionem parte do Imposto de Renda devido para projetos ambientais aprovados pelo Ministério do Meio Ambiente.

A iniciativa representa uma oportunidade para que recursos que seriam destinados integralmente ao Tesouro Nacional possam ser aplicados diretamente em projetos capazes de gerar impacto ambiental, social e econômico no território.

Como funciona a Lei de Incentivo à Reciclagem

A legislação permite que contribuintes apoiem projetos de reciclagem e economia circular por meio da destinação de parte do Imposto de Renda devido.

Podem participar:

  • Pessoas Jurídicas tributadas pelo Lucro Real, com destinação de até 1% do Imposto de Renda devido;
  • Pessoas Físicas, com destinação de até 6% do Imposto de Renda devido.

Além do benefício fiscal, o mecanismo contribui para o fortalecimento de práticas ESG (Ambiental, Social e Governança), estimula a economia circular, apoia soluções inovadoras e fortalece a imagem institucional de empresas comprometidas com a sustentabilidade.

Atualmente, dois projetos com potencial de transformação para Itajubá e região buscam apoio por meio dessa legislação: o projeto da Ria Green e o Projeto MUDA.

Ria Green: tecnologia para transformar resíduos eletrônicos em valor

Em fase ativa de captação de recursos, o projeto “Alta Tecnologia e Gestão de Resíduos Eletrônicos e Economia Circular”, desenvolvido pela Ria Green Sustentabilidade, atua em um dos maiores desafios ambientais da atualidade: a gestão dos resíduos eletroeletrônicos.

A proposta vai além da coleta e da logística reversa tradicional. O projeto utiliza Inteligência Artificial para identificação e classificação de resíduos e Blockchain para garantir rastreabilidade e transparência em toda a cadeia de processamento.

O objetivo é recuperar materiais de alto valor agregado presentes em equipamentos eletrônicos descartados, promovendo sua reinserção na cadeia produtiva e reduzindo a necessidade de extração de novos recursos naturais.

Segundo Fernando, CEO da Ria Green, a iniciativa propõe uma nova visão sobre os resíduos:

“A gente transforma esse passivo ambiental em ativo. Começa a mostrar para os empresários que existe potencial de geração de receita por meio de uma gestão adequada dos resíduos.”

O projeto já foi aprovado pelo Ministério do Meio Ambiente e encontra-se apto para receber recursos incentivados.

Como apoiar

Empresas e pessoas físicas podem realizar aportes utilizando os mecanismos da Lei de Incentivo à Reciclagem e receber a documentação necessária para o abatimento fiscal previsto na legislação.

Mais informações:

Projeto MUDA: uma solução para os resíduos orgânicos de Itajubá

Enquanto a Ria Green atua na gestão dos resíduos tecnológicos, o Projeto MUDA propõe uma solução para outro desafio ambiental relevante: os resíduos orgânicos gerados diariamente pela população.

Desenvolvido pela Safira Ambiental em parceria com o Instituto Lixo Zero, o projeto busca implementar um sistema inteligente de coleta seletiva de resíduos orgânicos em Itajubá.

A proposta prevê o início de uma operação piloto na região nordeste da cidade, utilizando motos elétricas com carretinhas para reduzir emissões associadas à logística de coleta.

Os resíduos recolhidos serão encaminhados para compostagem, transformando restos de alimentos, podas e materiais orgânicos em adubo destinado a viveiros, hortas comunitárias, escolas e outras iniciativas ambientais.

Além dos benefícios ambientais, o projeto prevê a participação de catadores cadastrados, fortalecendo a inclusão produtiva e a geração de renda.

Neste momento, o projeto encontra-se em fase de validação institucional e mobilização de apoiadores.

Como apoiar

A equipe do projeto está coletando Cartas de Intenção de Incentivo de empresas e organizações interessadas.

A assinatura da carta não gera qualquer compromisso financeiro imediato, mas demonstra apoio institucional e contribui para aumentar as chances de aprovação e captação futura de recursos.

Mais informações:

Sustentabilidade foi destaque na programação do HardTech Innovation

A importância da economia circular para o desenvolvimento regional também foi um dos temas centrais do Technovation, realizado entre os dias 25 e 28 de maio em Itajubá.

Ao longo da programação, o evento promoveu palestras, painéis e debates voltados à sustentabilidade, inovação ambiental, transição energética e negócios de impacto, demonstrando que o futuro da tecnologia está diretamente conectado à construção de soluções sustentáveis.

Um dos destaques foi o painel sobre Economia Circular e Reaproveitamento de Resíduos, mediado por Matheus Camurça, que reuniu Fernando, da Ria Green, Priscila Pupin, representante do Projeto MUDA e do Instituto Lixo Zero em Itajubá, e Beatriz Jorge.

A discussão trouxe exemplos práticos de aplicação da economia circular no território e mostrou como universidades, empresas, startups, instituições públicas e organizações da sociedade civil podem atuar de forma integrada para reduzir desperdícios, gerar valor econômico e ampliar os impactos positivos para a comunidade.

Outro momento relevante foi a palestra “Economia Circular e Inovação”, conduzida por Marcelo Soyza, gestor das Indústrias Fox. Referência nacional em mineração urbana e recuperação de materiais provenientes de resíduos eletrônicos, a empresa apresentou experiências relacionadas à reinserção de materiais na cadeia produtiva e às oportunidades geradas pela economia circular para a indústria brasileira.

A sustentabilidade também esteve presente no painel “Negócios sobre Teses de Mudança”, que reuniu professores da Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI) e representantes de startups como ArborizIA e Ceres Seed. O debate explorou soluções voltadas à arborização urbana, recuperação ambiental, reflorestamento e uso de tecnologias para ampliar os impactos socioambientais positivos.

Além disso, o evento promoveu discussões sobre o futuro da energia, hidrogênio verde, transição energética e expansão das fontes renováveis, temas que posicionam Itajubá entre os ecossistemas brasileiros mais alinhados às transformações globais em sustentabilidade e inovação.

Um Ecossistema que pensa o futuro

Ao conectar tecnologia, empreendedorismo, sustentabilidade e impacto social, o Ecossistema Itajubá HardTech demonstra que a inovação não está apenas na criação de novos produtos e tecnologias, mas também na construção de soluções para os desafios ambientais e sociais do século XXI.

A Lei de Incentivo à Reciclagem surge, nesse contexto, como uma ferramenta concreta para que empresas e cidadãos participem ativamente dessa transformação, apoiando iniciativas capazes de gerar benefícios duradouros para a economia, para o meio ambiente e para a qualidade de vida da população.

A oportunidade está aberta. Agora, cabe a cada organização e cidadão decidir onde investir parte do imposto que já será pago, transformando obrigação tributária em desenvolvimento sustentável para o Sul de Minas.

Publicado em: 10/06/2026

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